Os dias vão correndo, nem vejo a hora passar, minha cabeça enfiada nos projetos e nesta altura do campeonato eu já nem tenho mais costelas, tanto que fico encurvada na prancha de um desenho...
Essa pressa toda, esse stress todo é sempre novidade pra mim, ainda não me acostumei e pretendo não me acostumar! Costume, aliás, é uma coisa que eu sempre critiquei... Pessoas podem pensar que é um caminho que vem pro bem. Acostumar-se com o dia-a-dia é a mesma coisa de ajeitar-se a ele, aceitando seus males e empurrá-los da maneira mais fácil e prática possível. Elas já não fazem as coisas por gosto, mas por que têm que fazer!
Nah! Acostumar-se com algo que não é bom, é a mesma coisa de parar de tentar melhorar! Ou mesmo acostumar-se com algo que é bom! Se a coisa vai ficando ruim, apegam-se ao momento em que era bom e fantasiam que o ruim pode ser bom também... Ah, assim as pessoas param! Param de buscar, param de viver e começam a se encaixar num padrão, sacrificando a própria felicidade em prol de uma rotina que, um dia, trará benefícios... Quais benefícios, muitas das vezes nem se sabe ao certo, sendo que o maior benefício é o aprendizado que levamos até chegarmos ao final...
O que todo mundo esquece, é que o importante não é chegar lá! Mas é no passo-a-passo e no dia-a-dia que a vida acontece, e não depois disso... É um conselho tão velho e tão dito, mas muito pouco praticado, porque é simples demais... E por ser simples, ninguém se lembra.
Pareço um pouco revoltada, mas tenho pensado muito nisso ultimamente. Quando eu tinha 14 anos escrevia longos textos sobre esse tema: o desperdício. Estes textos hoje me fazem pensar... O desperdício da vida, do humor, do fôlego, do dia, sendo que dia perdido é aquele em que não se ri...
Pareço revoltada, e infelizmente estou... Porque nos meus 15 anos eu escrevia coisas que eu sabia, mas não escrevia porque eu vivia, mas porque eu via. Hoje eu vivo, e vejo, e é muito mais forte do que eu imaginava. E eu, escrevendo, me indignava:
"Por detrás de montes elevados existe uma estação onde se encontra tudo o que mais desejamos e tudo aquilo que ainda não descobrimos. Existe diversas coisas deste lado que nos rodeiam e impedem-nos de prosseguir, de seguir o rumo do nosso coração, porque às vezes é difícil encarar, em certas ocasiões, as verdades que nos machuca um tanto aqui e outro tanto acolá. São variadas as formas de permanência, onde às vezes o corpo fica e a mente vai. O coração fica, por medo, o corpo vai... Mente e coração desunidos, cada qual seguindo seu rumo.
É preciso sobretudo uma unificação intensa de todo o ser, para que um sonho seja realmente realizado. É preciso atenção redobrada às coisas não tão imaginárias, mas reais e existentes por estarem dentro de você. Há muita coisa a ser descoberta, a vida não é apenas isso o que agente vê. Tudo o que há de mais real é tudo aquilo que nós não podemos tocar, mas sentir... Saborear com o mais profundo sentimento, com o alívio do coração, com a sabedoria da alma... Com certos saberes de que quem vai, vai... Quem fica é quem perde. O muito saberá. Existe além de tudo algo que nos exila do mundo inteiro, e que nos mostra somente à noite, quando nos distanciamos da mente objetiva e colocamos a subconsciência em prática. Nos nossos sonhos podemos tocar, agir, sair e voltar sem qualquer medo de alguma reação externa ou qualquer remorso sobre os outros. Porque nos sonhos fazemos o que nos dá vontade. E somos livres. A liberdade dá-se a se sentir à vontade para fazer o que quiser e ser quem é, de verdade.
Meu mundo e nada mais, 06/05/05, Camila R.F."

O mundo tem tanto a oferecer àqueles que fecham os olhos e se recusam a explorá-lo... Abrir os olhos e aceitar novas possibilidades faz de uma alma, uma eterna criança. Porque pessoas jovens e belas é obra da natureza... Mas pessoas idosas e belas, são obras de arte.


