segunda-feira, 5 de maio de 2008

E subo bem alto...

Ouvi dizer que a insônia é um mal que por vezes vem pro bem. Agora são quase 3 da manhã e não adianta tentar, eu não consigo dormir... Insônia. E ao fechar meus olhos, tantas coisas passam diante deles... As pessoas, os lugares, as cores, as luzes, o cheiro, o toque, o som disperso em diferentes dimensões.
Decidi me entregar à insônia, ir na cozinha, preparar um leite quente, sentar-me na cama com meu notebook no colo e assim começar a desabafar em palavras meu pesadelos. Se é que posso chamar meus pensamentos de pesadelos. Lembranças nem sempre são um mal. Pelo contrário...
*pausa para um gole de leite. tá frio...
Não, lembranças definitivamente não são um mal. É preciso saber lembrar, saber pensar... As pessoas tem mania de ligar saudade com sofrimento. Saudade é gostoso quando pensamos nos risos e sorrisos, nas confusões engraçadas. Nos frios que sentimos na barriga, e que depois por incrível que pareça voltamos a sentir. Na surpreendente descoberta do que somos capazes quando tentamos... Nos últimos momentos, nos melhores momentos. E nos piores, tendo consciência de que já passou.
E já não é saudade, senão nostalgia. Em momentos de insônia, estou no meu direito de pensar, lembrar, imaginar... Sonhar acordada, já que dormir fica difícil.
Amanhã, ou melhor, hoje, acordo cedo para fazer uns trabalhos, e nesse frio vai ser preciso muita coragem pra levantar da cama, sabendo que o melhor sono é aquele de depois das 10:00.
Por fim, sem mais enrolação, despejo aqui o que realmente me fez tomar a iniciativa de aproveitar este mal que, hoje, veio pro bem.

Bom, se eu fosse uma pessoa que apenas sonha, talvez não teria em minha bagagem tantas lembranças. Eu sonho, sim. Mas a força do meu sonho me encoraja a segui-lo. No tarot, the fool. Aquele que entrega uma flor à lua, jogando-se de cima de um penhasco. Talvez da loucura venha a minha força. Da harmonia entre o pensar, dizer e fazer. Mas também a incapacidade de aquietação. De permanecer por muito tempo em um só lugar. Pela curiosidade, vontade e impulsividade...
Aí se de repente alguma coisa me breca eu me esfolo no chão, tamanha a velocidade que corro! Ralo o joelho, bato o queixo no chão, torço o tendão... E paro assustada. Olho para os lados e por um momento me desfaço de tudo! Porque de repente vejo que o machucado está doendo e eu não quero nem mais andar, o joelho ralado sangra...
Esse talvez seja o preço por andar de modo a sentir o vento no meu rosto, a emoção de cada passo dado, a sensação de quase poder sair do chão, voar... E acreditar que isso sim faz a vida valer à pena!
Aí machucada, desisto... E desisto de novo, e de novo... Desisto umas dez vezes por dia! Então vejo uma mão a se estender, uma palavra, um carinho, um olhar... Pessoas a meu redor, me lembrando de quem sou eu, que ainda há música, que tudo passa, e que é preciso arriscar sempre... E eu agradeço. E me levanto.
E recomeço a andar...

"Se na vida eu apanho, outras vezes eu bato, mas trago minha blusa aberta e uma rosa em botão"

6 comentários:

lorena disse...

milla, é sempre uma honra sua visita em meu blog. rsrs
e a insonia? anda de mão dadas comigo há muito tempo. só que em vez de tomar leite quente, tomo gelado que leva embora outro dos meus males. A azia. rsrs
Muito bom o texto. e eu tb tenho mania de escrever nas madrugadas.

té breve

=]

ContorNUS disse...

Existem noites ...que são dias

E por vezes ainda bem ;)

lugar_teu disse...

oi querida!
há que arriscar na vida. de que vale ficar colado na cadeira por ter medo de por os pés no chão?
a vida é isso mesmo: esfolar o joelho e saber que haverá alguém que nos ajudará a levantar. e sabe tão bem sentir os pés a levantar do chão! =)*

astronauta disse...

Minha amiga insone sonhadora...
Fazia tempo que não visitava seu blog... Seus textos estão ótimos!
Voce parece comigo , acho que e por isso , que tenho prazer em ler seus escritos...

Pena que eu nao estou mais me levantando sempre como fazia antes...

um forte abraço!

Se puder , da um avisitada no devaneios!

Paulo Henrique Pergher disse...

Minha mãe diz para não lutar contra a falta de sono. Se estás sem sono, vá fazer alguma coisa.

Eu gosto de pensar na respiração, tirar a concentração das muitas coisas que me aparecem na mente e me concentrar no meu respirar.

As vezes só desisto e vou fazer outra coisa como você. hahah
É uma ótima estratégia.

Beijos, Milla.

Iza disse...

Dias atrás estava dando uma olhada nos primeiros comentários lá no blog e vi que aparecias me visitando quase no começo do blog. eu ia contar uma história no agora extinto, "virtualizando o mundo real" e tu estavas disposta a ler, lembra?
Passado o tempo... não pude continuar aquela história e aquele blog mas, continuamos a nos visitar.
Sempre estou aqui, lendo o que escreves, admiro tua criatividade e sinto a musicalidade de tuas postagens.
Viu como tudo passa e já estás a subir bem alto?
Beijos!