
Para ser forte e suave, escrevo com mãos firmes a presença sutil dos meus segredos...
Mas é preciso apenas um pouco de segredo e de mistério para as coisas parecem maiores do que são.
Guardo tanto e tão profundamente meus pensamentos que desfarço entre reticências a confissão perigosa e vulgar.
Tenho o mundo nas mãos, tenho a resposta de todas as perguntas e as portas do meu caminho, todas abertas. No entanto, como estivesse embriagada, ando tropeçando de pedra em pedra, vendo as coisas de modo distorcido e ilusório. Dói-me a imaginação não sei como, mas é ela que dói.
É o resultado da preguiça de tanta futilidade, de tudo aquilo que o mundo entende como primordial e é, no fundo, tão secundário.
Gostaria de ter um manual de atitudes sensatas, de raciocínio lógico e tudo mais que as situações desse mundo pedem.
Ah, estou farta e cansada. Tenho 5 ou 50 anos, qualquer idade que a minha idade recusa.
Eu respondo às minhas próprias perguntas. Não que eu as saiba de cor. Eu não sei. Mas mantenho a calma e tranquilidade para me aplacar minha própria demência. E tento ser discreta para confiar ao menos em mim. E lógica para entender a minha própria confusão. Ser ao mesmo tempo o veneno e o antídoto. Ser por dentro a grande fúria de uma tempestade e a bonança do sol e, quem sabe, o arco-íris.
Eu me coloco em certa situação e encaro meus demônios a sós. Sem por nem tirar testemunhas.
O chamo para um café da tarde e a luta começa.
Uma estranha sensação de segurança continua tomando conta do meu corpo e a mim pouco importa quem vence ou quem perde.
Essa segurança sou eu me dando a mão, com a coragem necessária para encarar o que há de vir.
Ainda que sobre apenas a carcaça, o meu escudo é forte.
É o que me cala e me protege.
É o meu segredo que me guia e mantém a serenidade.
E me entregar por tão pouco, é colocar pouco preço no valor que eu tenho.




