sábado, 17 de julho de 2010

Como os nossos pais...

Estive mechendo nas minhas coisas e encontrei um texto que escrevi há uns 3 anos... As coisas não mudaram muito de lá pra cá, então resolvi passar pro computador e deixar registrado no meu blog por ter feito tanto parte de mim. E principalmente por acreditar que eu não devo ter sido a única a pensar assim um dia.




"Ao meu pai e minha mãe:


Há muito, o relicário que eu fui se fechou. Os esforço em mantê-lo puído era dado pelo seu amor.
O amor fora demais, um para com o outro. E tudo o que restou fui eu. A ponte entre o passado e futuro. O feixo. A fechadura trancada.
Recebida entre lágrimas de emoção, deixada entre pedidos de perdão. Ninguém teve culpa de nada, e eu quebrando meus laços.
Olhei-me, pobre (de mim).
Aos dezesseis saí de baixo das asas da minha mãe e, muito antes, dos braços do meu pai.
Meus pais, a sua união instável refletiu-se na instabilidade da filha que num instante passado fechou os olhos e chorou... Era demais.
Crer em si era demais. A liberdade era demais. O mundo era grande demais e eu, um grão de arroz movimentado pelo ritmo dos ventos, indo de lá pra cá.
Hoje me defendo.
A boca que gritava na tentativa de uma barreira de proteção, hoje se cala. A minha luta me basta, a de vocês é outra e não cabe no meu caminho. Peguem um atalho.
Esse é o meu caminho e meu lar imaginário.
Não tenho um quarto pra chamar de meu, nem uma cama que seja minha. Mas eu tenho uma vida, e esta vocês me deram com o concentimento de Deus. No resto, aos poucos eu me acerto.
Ainda domada pelas circunstancias, presa à liberdade que senti pra mim. Há, ainda, as correntes e as caras feias. E na cama emprestada eu choro meus medos e por vezes solidão.
No fundo, a necessidade de um carinho, um abraço, e a vontade de voltar à infância protegida por camadas de sonhos e sorrisos.
E há também, no raiar dos meus dias, as forças que reúne nos sonos bem ou mal dormidos, o peito estufado e a prova de que eu sobrevivi sem esfriar, sem julgar ou atacar com pedras contra janelas.
Meus olhos ainda brilham.
Acredito em mim.
Acredito também em vocês. Longe ou perto, ausentes ou presentes. Cada um me passando à sua maneira a força necessária para que eu possa continuar.
Afinal sou herdeira dos seus traços, passos e gestos. Sou história. Sou concreta. Sou filha.


E vocês, pra sempre, meus pais."


3 comentários:

Livia Queiroz disse...

CARAMBAAAAAAAAAAAAAAAAAAA ENTUPI!!!!!

"O mundo era grande demais e eu, um grão de arroz movimentado pelo ritmo dos ventos, indo de lá pra cá.
Hoje me defendo."

Eita que bom chegar aqui e receber esse "grito instantaneo".
E me encontrar em algumas linhas, tão perdida e partida que sou.
Ai ai, tudo mesmo tão engraçado Milloca, no fim(ou pelo menos no ponto que paramos e olhamos pra trás) é tudo consideravelmente igual, e ainda assim dizemos que as coisas mudam...
Mudam nada: muda eh o olhar, o ângulo...
E AE VEM VOCÊ E CONCLUI COM EXATIDÃO: "Sou história. Sou concreta. Sou filha."

Não tem pra onde correr, as histórias se repetem!!!!!!

:)

Anônimo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Lindo, me identifiquei bastante com seu texto. Interessante, porque é tão pessoal, rs. A proposito, obrigada pela sua visita e pelo comentário, Fiquei bastante feliz, porque estou apenas começando a escrever, preciso saber o que as pessoas acham sobre o que escrevo.Espero que você volte mais vezes ao meu cantinho, rsrrs Gostei bastante de seus outros textos, vou te seguir,gostei da sua sensibilidade.